domingo, 29 de agosto de 2010

Amparo


Guardarei nossos segredos
Não como algo inabalável, intocável,
Mas como anteparo da hipocrisia e
Como sendo a nossa causa...
... Só nossa e de mais ninguém.

Não repararei as nossas desavenças
Porque delas tiraremos proveitos...
... É através delas que aprendemos.

Aguardo e não reparo.

Despreparados estão
Para ser guardião
De nossas convicções.

Não darei guarida aos invasores,
Aos que se intrometem
Em nossas relações
Seja ela qual for.

Seremos o amparo
De nós mesmos...
Resguardando as devidas pretensões.
Poty – 16/02/2010

Você chega de mansinho...
... Quieta fica.
Não sei se é por causa de mim
Ou por causa de ti,
Somente ti.

Deixa-me pensativo,
Inquieto
Querendo resposta...
... Apenas resposta.

Quero algo a mais.
Quero penetrar
Em teus pensamentos,
Descobri-los,
Fazer parte deles.
Será que deixas?!
Vou assim mesmo!

Cativa-me com teu jeito bruto a ser lapidado...
... Serei o artífice que lapidará esta jóia preciosa.
Poty – 14/02/2010

Teu telhado


Vou ter o telhado?
Pode ser o quarto ao lado.

Você deixa entrar?
Passo a chuva e vou embora.

Não o quero pra mim!
Apenas um aconchego e partirei sem deixar vestígios.

Não é de vidro
É espaço forte
E nem quero ser invisível.

Deixa ir!
Não preciso pra sempre, são alguns dias e seguirei meu destino.

Não levarei nada, ficará sobre teu telhado... Quero apenas teu amor!

O que se construiu sob ele não será cobrado e nem será abraçado como sendo a última causa...
... És a própria causa de viver.

Sob teu telhado vai ficar o passado -
Não me deixas entrar porque dormes dele, -
És executora do acontecido que caia sobre ti.
E recusas eu entrar!
Poty – 08/02/2010

Eu não tenho

Eu não tenho nada -
Eu não vejo então -
Fico sem nada.

Eu não tenho,
O que fazer sem pão?

Vaza pelas mãos
Escorre nesta vazão,
Eu não tenho.

O que fazer nesta imensa solidão?
Não tenho anda.

Continuo nesta vastidão,
Sem nada ter.

Durmo sem colchão
No chão duro
E não sei o que remediar.

Não tenho onde morar
Fico perambulando por ai neste mundo que cabe
E me coube ficar sem chão.
Poty – 30/01/2010

Apenas Mãos


Apenas mãos
Mãos calejadas,
Mãos que escreve
Mãos que acaricia, ah essas mãos...
Mãos que abanam
Mãos que tapeiam
Mãos que cuidam... Mãos, ah mãos...
Mãos que agarram
Mãos que afagam
Mãos sensíveis,
Mãos que acenam... Mãos são mãos, mas que mãos!
Mãos que tocam,
Mãos carinhosas,
Mãos protetoras,
Mãos salientes, ah como queria essas mãos.
Mãos traçando mãos,
Mãos roubando irmãos,
Mãos doadoras,
Mãos louvando,
Mãos tocando seja lá o que for, são mãos!
Foi escrito por várias mãos!
Poty/Binha – 28/01/2010
Na janela há flores

As flores exalam na janela recebendo fluídos do sol irradiando as pétalas...
Assim transformando o canto que as têm.
... Eu tenho o sentimento sem expressão...
Deixo-as pairando sobre a luz que surge pela janela.
Colher e ser colhida com exatidão.
... Na minha janela tem a flor de mirra...
(Na minha tem a flor que mereces),
Flor de todo dia,
Flor que se espalha
A flor que regamos...
Seja onde estiver,
Mas na janela tem seu brilho.
Poty – 13/01/2010
O mundo é a estância viva que fecunda.
Poty – 10/01/2010
O Corredor
Corredor azarento
Corredor que passa,
Dos andarinhos,
Dos fantasmas...
Que a noite se movimenta,
De criancinhas brincando,
De pessoas andando sonâmbulos em busca do nada...
De almas penadas,
De vivos azarentos,
Zombando por nada...
Corredor das passaradas
Trafegando sem nada...
Parece trafego de almas penadas
Querendo levar os que ainda permanecem brincando e azarando a bicharada...
Os que são e os que já foram,
Passasse, mas repassasse também...
E ficam os sentimentos partilhados.
O corredor não vai a lugar nenhum!
Poty – 08/01/2010
Entre nós...
Pelo menos te faço algo
Que satisfaz e me satisfaz também,
Mas fala muito de ti contigo mesmo
E de mim comigo mesma...
Sinto eco em mim.
Poty – 08/01/2010
Tenta-me

Você me tenta
E quero ser tentado por ti.
Contenta-me a tua perdição.
Sinto bem pelo teu tentar,
Pela tua sensibilidade
Por tua sensualidade
Pelo teu sorriso
Pela tua pele
Pelo teu olhar
Pela tua timidez
Por tua sensatez
Por tuas imaginações
Por tua solidão
Pela tua mansidão
... A tua causa, sem causa...
Poty – 07/01/2010
Alma...
Energia flutuante
Água corrente que desce montanhas
Segue caminhos inesquecíveis
Vai energizando por onde passa
Por quais afluentes circula...
Poty – 03/01/2010
Não adianta Plástica

Nada adianta se não te faz bem,
Nada adianta se tua morada interior não se encontra bem,
Se você não se sente segura para seguir a vida.
Quando a plástica recobre os defeitos externos e encobre os internos.
Para quê uma boa estética se a ética encontra-se desmoronando.
Se quiseres fazer, que faça, mais seja num ato de reconciliação do corpo com suas energias.
Poty – 03/01/2010

terça-feira, 6 de julho de 2010










Zine Da Gaveta apresenta
Sarau do Desespero
Música, vídeo, teatro, dança, literarura... Tudo com o tempero do desespero.
O desespero alimentando a arte!
Lançamento do zine Da Gaveta n 5.
10 de julho às 22h
Studio Mix 54 (Rua Visconde de Pelotas, 87 - Centro - Caxias do Sul)
Valor: R$ 7,00
Ingressos antecipados no Leeds Pub (Rua Os 18 do Forte, 314 - Lourdes - Caxias do Sul)

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Desespero








Vou desesperadamente em busca de algo...

Não sei o que...

O desespero chegou

Pegou

E arrasou...

Aflito fiquei

Apaguei-me

Não desesperei...

Veio de surpresa

Levou-me feito louco apaixonado

Transtornado

Desesperado...

... Não tenho mais o que fazer se estou sem esperança –

Dizem que é a última que morre –

... Vou deixar para alguém...

Porque a desesperança é minha!

Não quero contagiar ninguém.

Poty – 12/05/2010

No cárcere



Não fiquei quieto diante meu cárcere.

Aproveitei as paredes e escrevi sobre este momento.

Nos porões não há como se sujeitar da infeliz situação.

Manifestei-me!

Usarei os carrascos para torná-las evidentes!

... O que fiz na prisão foi disseminado além muro...

Sustentei-me!

Permaneci firme diante meus torturadores.

Pois a liberdade de escrever é potente e

Não há cárcere que derrube.

Poty – 29/05/2010

Arisco



Vivo no risco, com risco

... Arisco...

Risquei da vida danos normais

Mais arisquei as memórias que guardei...

Riscarei os danos, folharei o que nos fez bem.

Poty – 19/05/2010

Existência


Somos cavaleiros andante, errante que segue sem se deixar cair, mais que caia e se levante.

A vida é passagem sem que seja algo que difere de nossa relação de mortal.

Continuemos entre altos e baixos sem querer ficar no lodo que resvala sobre nós.

Deixemos os males fazerem parte não tomando conta por si só e que a outra parte seja o contrapeso deste equilíbrio.

A existência inexiste desde que não queira existir.

Sejamos o fragmento da existência ou não?!

Poty – 22/05/2010

Tsunami










Leva

Lava

Arrasa

Deixa vestígios...

Renova

Inova

Os males...

Teima

Persiste

E não deixa se levar...

Segue.

Resiste

Fica

E começa tudo de novo.

Poty - 28/04/2010

Não tenho tempo


Não tenho tempo...

... Dê tempo ao tempo e qualquer dia terá tempo que o tempo dirá e fará dele o teu tempo.

Poty – 20/05/2010

O Animal que vive dentro de mim










O animal que vive dentro de mim...

Nestas andanças

Mato o animal

A Cada dia que se encontra dentro de mim



Revigora-se o instinto que

Faz-me ser

Caçado

Caçador



Enfrento todos os dias

Este animal

Que acorda em mim

Ferozmente



Abraço-me ao meu temor

Envolvo-me com minhas verdades

Encaro-os as inverdades...



Solto o corpo tenro.

Abandono a rigidez

Que este animal faz-me sofrer...

Vou continuar com ele...

É a garantia de minha sobrevida.

Poty – 26/05/2010