terça-feira, 25 de setembro de 2012

A Mosca Azul

Ela engana
É sorrateira
Faz pensar que se têm possibilidades...
Pica e deixa suas larvas

É maldosa
Age como se fosse dona do poder
Entrega fácil
É soberba
Entra-se logo na sua lábia
Vai se rastejando
E vai pegando gosto pela ganância
É a lógica de tudo

Fica parecendo o Rei
Pode tudo
Não existe lei
Tudo pode
Tudo se faz
Não será importunado
Nem sacrificado
É assim que se engana

A Mosca pegou de jeito
O fez ser mordiscado
Pelo gosto da comida que nunca teve
Deste pão não se terá

Foi audaz
Maquiavélica
E o ouvinte incapaz

Ela pousou e amaldiçoou
Deixou seu azul
Não quis saber

Foste como bobo
E Ela armou perfeito
Surge o otário
E continua a largar suas larvas
A barbeiragem é a mesma

Cai mais um em sua sopa
Achando que vai dar tudo certo
Entre opulência e poder

O desgraçado entrou no jogo dela
Sonhando que ia ter
Poty – 25/09/2012
 

Dores

Sobre dores infernais
Inchaço
Nem consigo caminhar
Tento seguir
Chego a tomar remédio
Noite sem fim

Continua a dor
Eu cá num lamento
Não me entrego
Continuo firme
Ora deitado de perna levantada.
Ora sentado
Na cama uma agonia sem dormir
Pego as muletas,
Ah!
Muletas minha salvadora
Ajuda-me a caminhar sem pisar firme no chão
Não desisto são tantas informações
Recebo de todos (as)
Sigo com minha aflição
Vou conseguir
Não tem explicações
Todos querem saber...
Vou sair dessa!
Não tenho dúvidas
Sigo as orações
Pedidos
Até reclamações...
Acho que tu fazes direito
Tá indo contra os dizeres da profissão 
Seja lá o que for
Continuo sentindo dor
O inchaço também
Como se fosse um eterno sofredor
Fica vermelho
Nem sei mais que cor
Só sei que é dor incolor
Vou descobrir para não mais torcer
Voltou outra vez
Chega de tanta dor!
Poty – 24/09/2012

Fêmea

Fêmea
Louca
Cheia de inquietação...
Queima por dentro
Um furacão!
Incontrolável seu momento de prazer...
Sua libido sem controle
Deixa-me sem percepção
Poty - 22/09/2012

Tombo

Caiu
Tentei segurar
Foi tão rápido que nem vi, quando vi você já se encontrava no chão.
Fui ao teu encontro
Peguei-a em meus braços
Sobre eles te acalentei para aliviar a dor.
Poty – 19/09/2012

Medo

Deixa eu te olhar
Deixa eu te tocar...
Não tenha medo!
Não serei teu mal,
Serei a força que te acalma
A tua energia
Que te faz viver...
Que te abala,
Estremecer tuas bases.

Deixa ser o que você não quer que seja,
Mas lá no mais profundo sentimento
Queres que eu vá
E te faça ser teu rebento.
Teu bebê inocente/indecente/ardentemente...
Para arrebatar o teu calabouço,
Das profundezas da terra
Que esconde o teu desejo latente.

Deixa-me entrar em tuas teias,
Emaranhado sentimento
Assolando em demência
Surgindo do oculto/obscuro
Lamaçal soltando os seus bichos,
Que não quer soltar.

Serei teu libertador!
Soltarei os teus diabos
Acabado/inacabado-exaltados.
Deixa teu fogo acender,
Porque as brasas estão pipocando em você.
Poty – 23/05/2008

Meu corpo

Meu corpo grita
Meu corpo exclama
Meu corpo reclama
Meu corpo chora

Meu corpo aclama
Meu corpo sua
Meu corpo anda
Meu corpo nada (num vai-e-vem),
Meu corpo emerge, imerge
E não conhece ninguém.
Meu corpo fica paralisado dentro do trem
Meu corpo na rua vagando...
Meu corpo sentado no banco da praça
E nem sente o tempo passar.
 
 
 
Meu corpo flutua...
Meu corpo voa sem precedente.
Meu corpo vai
Meu corpo morre,
Mas vive numa boa!
Meu corpo numa janela a procura das multidões!
Meu corpo balança,
Mas volta a sentir o chão.
Meu corpo não é nada diante do cosmo
Meu corpo vira bicho
Meu corpo é puro pó...
Dele veio,
Dele se vai!
Meu corpo na areia
Meu corpo é energia/sinergia
Meu corpo é atração/retração
Meu corpo é tudo e ao mesmo tempo não vale nada!
Poty-2008

O nosso encontro

Quando te encontrei
Não tive o que fazer
Apenas te olhei
Olhos serrados

Fitei-te

Começamos a falar
Não queríamos mais parar

Como se fosse eternidade

Olhamos-nos outra vez
Paramos
Parecia que o tempo não passava
De repente estávamos nos abraçando

Deste encontro ficou a vontade de ter mais
Poty – 03/01/2012