terça-feira, 24 de abril de 2012
Uma mulher
Uma mulher caminha nua pelo quarto
é lenta como a luz daquela estrela
é tão secreta uma mulher que ao vê-la
nua no quarto pouco se sabe dela
a cor da pele, dos pêlos, o cabelo
o modo de pisar, algumas marcas
a curva arredondada de suas ancas
a parte onde a carne é mais branca
uma mulher é feita de mistérios
tudo se esconde: os sonhos, as axilas,
a vagina
ela envelhece e esconde uma menina
que permanece onde ela está agora
o homem que descobre uma mulher
será sempre o primeiro a ver a aurora
Bruna Lombardi
é lenta como a luz daquela estrela
é tão secreta uma mulher que ao vê-la
nua no quarto pouco se sabe dela
a cor da pele, dos pêlos, o cabelo
o modo de pisar, algumas marcas
a curva arredondada de suas ancas
a parte onde a carne é mais branca
uma mulher é feita de mistérios
tudo se esconde: os sonhos, as axilas,
a vagina
ela envelhece e esconde uma menina
que permanece onde ela está agora
o homem que descobre uma mulher
será sempre o primeiro a ver a aurora
Bruna Lombardi
desta vez não vai ter neve como em petrogrado aquele dia
o céu vai estar limpo e o sol brilhando
você dormindo e eu sonhando
nem casacos nem cossacos como em petrogrado aquele dia
apenas você nua e eu como nasci
eu dormindo e você sonhando
não vai mais ter multidões gritando como em petrogrado
[aquele dia
silêncio nós dois murmúrios azuis
eu e você dormindo e sonhando
nunca mais vai ter um dia como em petrogrado aquele dia
nada como um dia indo atrás do outro vindo
você e eu sonhando e dormindo
Paulo Leminsk
o céu vai estar limpo e o sol brilhando
você dormindo e eu sonhando
nem casacos nem cossacos como em petrogrado aquele dia
apenas você nua e eu como nasci
eu dormindo e você sonhando
não vai mais ter multidões gritando como em petrogrado
[aquele dia
silêncio nós dois murmúrios azuis
eu e você dormindo e sonhando
nunca mais vai ter um dia como em petrogrado aquele dia
nada como um dia indo atrás do outro vindo
você e eu sonhando e dormindo
Paulo Leminsk
domingo, 22 de abril de 2012
Estar sem estar...
Fica sem ficar.
Insatisfação a vista...
Se colar colou.
Se não, continua sem perder de vista a noção do estar.
Insatisfação chega pra lá.
... Eu continuo, não deixo a satisfação.
A gente sabe logo de primeira
Coisa horrível quando falta...
É assim que se faz.
Poty/Dulce – 25/03/2012
Quisera eu dar a cara pra bater no mundo!
Quisera não me tornar estátua com medos
Aquela que não tem etiqueta
Bebendo um gostoso Porto...
Aquela que beija e morde e sangra
(Ledalge, Salvador, 2009)
Quisera não me tornar estátua com medos
E soltar a poesia marginal que me vigia!
Que dá vazão às discórdias
Bebendo um gostoso Porto...
A poesia que com barro é moldada
Uma cartilha sem término eu seria
Pena que por vezes a solidão é fera
Que arde no bolso e na lapela
E faz do poeta um ladrão de ironias!...
sábado, 21 de abril de 2012
Tenta-me
Tenta-me
Você me tenta
E quero ser tentado por ti.
Contenta-me a tua perdição.
Sinto bem pelo teu tentar,
Por tua sensualidade
Pelo teu sorriso
Pela tua pele
Pelo teu olhar
Pela tua timidez
Por tua sensatez
Por tuas imaginações
Por tua solidão Pela tua mansidão ...
A tua causa, sem causa...
Poty – 07/01/2010
Andarás
Andarás faceira
Fique amante
Seja amiga...
... Continue sendo você...
Siga a tua vida...
Fique amante
Seja amiga...
... Continue sendo você...
Siga a tua vida...
Continuas fascinante
Merece
Não abuse
Jogue
Não retruque
Possibilite
...Que a vida te dará...
Poty 08/10/2010
quinta-feira, 19 de abril de 2012

As pessoas não estão neste mundo para satisfazer as nossas expectativas, assim como não estamos aqui, para satisfazer as dela.
Temos que nos bastar nos bastar sempre e quando procuramos estar com alguém, temos que nos conscientizar de que estamos juntos porque gostamos, porque queremos e nos sentimos bem, nunca por precisar de alguém.
As pessoas não se precisam, elas se completam não por serem metades, mas por serem inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida.
Mário Quintana

Tê-la em meu corpo,eu no teu...
Desnuda,falante,muda...
Mas sussurando baixinho em meu ouvido
ou gritando calorosamente
Alucinadamente...
Uiva rouca com voz sensual...
...Estremece a minha timidez de macho
em busca de ti...
Insolente serei
Vou passear em tua pele macia
Escalando teu corpo molhado
Desesperada de desejo
Querendo passear e deslizar
...Sem pressa...
Sem jeito...
Apenas sendo muito original
Me envolve
Me chama
e afagas esse corpo que te clama
Poty 07/10/2010
terça-feira, 17 de abril de 2012

A tua insinuação me provoca, me convoca e dar arrepios...
És tentação pura da minha insensatez que a lucidez se perde.
Assim estarei alucinado (louco sem perde a minha lucidez), inspira-me desejos proibidos, desinibidos, descabidos arrebata-me nesta pequena e mundana sensação! Sou o coitado em tuas peripécias de menina brincando com a libido de alguém, mas satisfaz a mim as tuas sensuais insinuações.
Poty – 07/01/2009"
segunda-feira, 16 de abril de 2012
MOTE E GLOSA

Vou pedir para toda patricinha
Que compra dez sapatos todo dia,
Para dar um chinelo pra Maria
E também um “agasalho” pra Martinha.
Que em casa só chegam à noitinha,
Depois de catarem o descartado,
Em um velho lixão abandonado,
Com aqueles que vivem na exclusão.
FAÇO VERSO EM PROL DA PRESERVAÇÃO,
PRA NÃO VER MEU PLANETA EXTERMINADO.
Assis Coimbra.
sábado, 14 de abril de 2012

“ Ando com uma vontade tão grande de receber todos os afetos, todos os carinhos, todas as atenções. Quero colo, quero beijo, quero cafuné, abraço apertado, mensagem na madrugada, quero flores, quero doces, quero música, vento, cheiros, quero parar de me doar e começar a receber.”
(Caio Fernando Abreu)
Dar e Dar

Dar é dar.
Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido.
... Mas dar é bom pra cacete.
Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca...
Te chama de nomes que eu não escreveria...
Não te vira com delicadeza...
Não sente vergonha de ritmos animais. Dar é bom..
Melhor do que dar, só dar por dar.
Dar sem querer casar....
Sem querer apresentar pra mãe...
Sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo.
Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral...
Te amolece o gingado...
Te molha o instinto.
Dar porque a vida é estressante e dar relaxa.
Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã.
Tem pessoas que você vai acabar dando, não tem jeito.
Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem
esperar ouvir futuro.
Dar é bom, na hora.
Durante um mês.
Para os mais desavisados, talvez anos.
Mas dar é dar demais e ficar vazio.
Dar é não ganhar.
É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro.
É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir.
É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar
o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar:
"Que que cê acha amor?".
É não ter companhia garantida para viajar.
É não ter para quem ligar quando recebe uma boa notícia.
Dar é não querer dormir encaixadinho...
É não ter alguém para ouvir seus dengos...
Mas dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito.
Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor.
Esse sim é o maior tesão.
Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar
Experimente ser amado...
Luís Fernando Veríssimo
Corações Separados

A saudade aumenta,
A distância diminui,
O coração acelera,
A vida consome...
A imaginação vai longe
E como vai a busca do impossível, do proibido...
... O pensar voa...
Olhar atento
As vezes à toa...
Ainda mais quando está friozinho,
Uma garoa fina a bater na janela,
O coração acelera e pensamentos voam...
Vou seguindo sem você,
Mas acelera os compassos das batidas que fazem pensar na distancia e também no quanto seriamos felizes perto...
Juntando os dois corações num só coração.
Poty – 04/03/2010
Deixa-me
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo...
Isto é carência.
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar... Isto é saudade.
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos... Isto é equilíbrio.
So...lidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida... Isto é um princípio da natureza.
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... Isto é circunstância.
Solidão é muito mais do que isto.
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma....
Francisco Buarque de Holanda
Isto é carência.
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar... Isto é saudade.
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos... Isto é equilíbrio.
So...lidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida... Isto é um princípio da natureza.
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... Isto é circunstância.
Solidão é muito mais do que isto.
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma....
Francisco Buarque de Holanda

Tu queres sono: despe-te dos ruídos, e dos restos do dia, tira da tua boca
o punhal e o trânsito, sombras de teus gritos, e roupas, choros, cordas e
também as faces que assomam sobre a tua sonora forma de dar, e os outros corpos
... que se deitam e se pisam, e as moscas que sobrevoam o cadáver do teu pai, e a dor
[ (não ouças)que se prepara para carpir tua vigília, e os [ cantos que esqueceram teus braços e tantos movimentos que perdem teus silêncios, o os ventos altos
que não dormem, que te olham da janela e em tua porta penetram como loucos
pois nada te abandona nem tu ao sono.
Ana Cristina Cesar
domingo, 8 de abril de 2012
Humanizar

O nosso instinto de propriedade
Que permeia na mais louca
E insana relação da expropriação
Na usura do espolio
Que segrega
Os que são considerados
Não humanos.
Se somos humanos
E porque humanizar?
Esta relação independe
De cor, sexo, raça, gênero
E seja onde for.
Em qual país esteja.
Derrubemos os muros
Da insatisfação para ter uma ligação
Entre povos com credos ou não.
Poty – 08/04/2012
A razão da guerra
AQUILO QUE TEM QUE SER DITO

Por que tenho me calado, me calado por tempo demais
sobre o que é patente e já vem sendo ensaiado
em simulações ao fim das quais nós, como sobreviventes,
somos no máximo umas notas de rodapé?
É o alegado direito de ataque preventivo
que poderia extinguir aquele povo
subjugado por um fanfarrão
e empurrado ao júbilo organizado (o iraniano),
porque se suspeita da construção
de uma bomba atômica em seus domínios.
Por que, no entanto, eu me proíbo
de chamar pelo nome aquele outro país
no qual se dispõe há anos - ainda que em segredo -
de um potencial nuclear crescente
e sem controle, pois não se dá acesso
a nenhuma inspeção?
A generalizada omissão desse fato,
à qual se subordina o meu calar,
eu a sinto como incriminadora mentira
e coerção com promessa de punição:
assim que desobedecida,
o veredito “antissemitismo” está em toda parte.
Agora, porém, porque o meu país,
- que por seus crimes próprios,
que estão além de comparação,
é volta e meia chamando às falas -
deve entregar a Israel
(por razões puramente comerciais,
embora declarado com lábios ligeiros
que se trata de reparação)
mais um submarino, cuja especialidade
é ser capaz de direcionar ogivas
de destruição total a um lugar
onde não foi comprovada a existência
de uma bomba atômica sequer, e no entanto
com o fim de atemorizar se pretende
que existam provas conclusivas -
por isso agora eu vou dizer
o que precisa ser dito.
Por que, no entanto, até agora eu me calei?
Porque eu pensava que a minha origem,
marcada com mácula nunca extinguível,
proibia declarar tais fatos como verdadeiros
em relação ao país Israel, com o qual tenho laços
e quero continuar a ter.
Por que é que eu digo somente agora,
envelhecido e com o fim da minha tinta,
que o poder atômico de Israel põe em risco
a paz mundial, já frágil sem isso?
Porque precisa ser dito
o que amanhã pode ser muito tarde;
e também porque nós
- como alemães já o suficiente incriminados -
podemos vir a ser fornecedores para um crime previsível,
com o que nenhuma das usuais desculpas
teria o poder de redimir
nossa participação na culpa.
E admito: não mais me calo
porque estou farto da hipocrisia do Ocidente,
e tenho esperança que com isso
possam se libertar muitos desse calar-se
e conclamar o causador do reconhecível perigo
a abrir mão de violência, e igualmente
a que seja permitido pelos governos dos dois países
um controle permanente e desimpedido
do potencial atômico israelense
e das instalações atômicas iranianas
por uma instância internacional.
Somente assim será possível ajudar
a todos, israelenses e palestinos,
e mais: a todos os seres humanos
que nessa região ocupada pelo delírio
vivem apertados em inimizade, e, afinal,
a nós mesmos também.
Günter Grass, 84 anos, Prêmio Nobel de Literatura, em 04/04/2012.
ME PROVOCA

Me provoca, não me conhece acende os meus desejos, desperta minha paixão, brinca com fogo. Tem esse poder todo? Irá me conhecer, aplacar minha vontade, meu fogo. Provocou, venha, faça. Agora sou que desafio. Quero sentir seu fogo, seu medo, quero todas as promessas, todas as falas. Quero sentir tudo que prometeu, quero ser aquela mulher, aquela que você disse saber amar, que irá fazer amor, que deixará marcas ardentes em mim... Quero todas as marcas desse amor, dessa luxuria que vejo em seus olhos e sinto em suas palavras...
Silvana Sousa

Coração de Poeta
Quando ele a olha cheio de excitação
...O que vê de verdade?...
Seu coração de trovador
Acha beleza numa arvore rota...
Pedra coberta de musgo..
Onde ninguém vê
Todos passam,ele fica ali, parado..
Extasiado e vai descrever o que
viu, com seu jeito torto de enxergar
o outro lado da beleza
Exclama: linda!!!!!
E é desse modo que apaixonado
Vê a vida
E a sua amada...
Madulew
17/01/2011
sábado, 7 de abril de 2012
Outonais

Sou folha envelhecida pelo tempo
Que o vento carrega de um lado a outro
... No vendaval que me assola!
Sou verbo. Sou carne.
Sou vinho, tinto, seco,
Com sabor e têmpera
Que os anos melhoram!
Deixei que o vento varresse
Também as palavras
E que o brilho de meu olhar
Nasça nas frias madrugadas!
Sou um tímido raio de sol
Que se espalha na amplidão
Buscando aquecer e aquecer-me,
Neste sonhar que me cobrem
As pontas dos dedos e que
Não cabem em mim.
Dalasnieve Daspet
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Culpa e vergonha
Preciso eu ir ao confessionário para desculpar de meus erros?
Serei eu culpado por isso?
A vergonha será esta confissão que nos separa entre o meu olhar e o teu num local chamado sagrado que segundo o senso do segredo impera sobre o confidente.
E qual o papel daquele senhor que sobrepõe acima de qualquer mortal como sendo porta voz do ser supremo (Deus) e como será este retorno se me envergonho para tal situação que tenho de ajoelhar-me diante outro ser errante? Não teria problema nenhum em que este processo fosse recíproco. Em que todos se ajoelhassem e fizesse conjuntamente e fosse coletivamente as nossas juras de culpas e vergonhas.
Poty – 06/04/2012

O sentir não tem resposta, corpo fala, corpo responde... se falo escondo o que sinto, se calo o silêncio corresponde... ele dita e cala. Vejo e não aguento. vou além. Amigo sempre! O que vier depois é pura sensação, fluidez, forte atração... sigo sem ser sina nem destino é conjunção entre corpos, pensamentos e muito mais...
Poty - 02/04/2012
Assinar:
Postagens (Atom)


































