sábado, 14 de abril de 2012


“ Ando com uma vontade tão grande de receber todos os afetos, todos os carinhos, todas as atenções. Quero colo, quero beijo, quero cafuné, abraço apertado, mensagem na madrugada, quero flores, quero doces, quero música, vento, cheiros, quero parar de me doar e começar a receber.”
(Caio Fernando Abreu)

Dar e Dar


Dar é dar.
Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido.
... Mas dar é bom pra cacete.
Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca...
Te chama de nomes que eu não escreveria...
Não te vira com delicadeza...
Não sente vergonha de ritmos animais. Dar é bom..
Melhor do que dar, só dar por dar.
Dar sem querer casar....
Sem querer apresentar pra mãe...
Sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo.
Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral...
Te amolece o gingado...
Te molha o instinto.
Dar porque a vida é estressante e dar relaxa.
Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã.
Tem pessoas que você vai acabar dando, não tem jeito.
Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem
esperar ouvir futuro.
Dar é bom, na hora.
Durante um mês.
Para os mais desavisados, talvez anos.

Mas dar é dar demais e ficar vazio.
Dar é não ganhar.
É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro.
É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir.
É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar
o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar:
"Que que cê acha amor?".
É não ter companhia garantida para viajar.
É não ter para quem ligar quando recebe uma boa notícia.
Dar é não querer dormir encaixadinho...
É não ter alguém para ouvir seus dengos...
Mas dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito.
Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor.
Esse sim é o maior tesão.
Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar
Experimente ser amado...
Luís Fernando Veríssimo

Corações Separados


A saudade aumenta,

A distância diminui,

O coração acelera,

A vida consome...

A imaginação vai longe

E como vai a busca do impossível, do proibido...

... O pensar voa...

Olhar atento

As vezes à toa...

Ainda mais quando está friozinho,

Uma garoa fina a bater na janela,

O coração acelera e pensamentos voam...

Vou seguindo sem você,

Mas acelera os compassos das batidas que fazem pensar na distancia e também no quanto seriamos felizes perto...

Juntando os dois corações num só coração.

Poty – 04/03/2010
Muita chuva...
Um pouco frio
Bom se deitar,
Se enrolar...
Se abraçar...
Ficar...
Se beijar...
Se enroscar...
Pra fazer crochê
Comer
Assistir TV
Fazer algo de bom...
Deixa assim
Quem sabe
Eu farei algo diferente também.
Poty – 14/04/2012

Deixa-me


Deixa-me sonhar
Que é um anjo
Aquele que me vem olhar
... Quando estou dormindo
Despida de culpas

Deixa-me pensar
Que é um pássaro branco
Aquele que vem
Anunciar a minha paz

Sol pereira

sexta-feira, 13 de abril de 2012

"Feliz é aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina"! Cora Coralina
Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo...
Isto é carência.
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar... Isto é saudade.
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos... Isto é equilíbrio.
So...lidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida... Isto é um princípio da natureza.
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... Isto é circunstância.
Solidão é muito mais do que isto.
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma....

Francisco Buarque de Holanda
"O homem mais importante na vida de uma mulher não é o primeiro,mas sim aquele que não deixa existir o próximo" Clarice Lispector

Tu queres sono: despe-te dos ruídos, e dos restos do dia, tira da tua boca
o punhal e o trânsito, sombras de teus gritos, e roupas, choros, cordas e
também as faces que assomam sobre a tua sonora forma de dar, e os outros corpos
... que se deitam e se pisam, e as moscas que sobrevoam o cadáver do teu pai, e a dor
[ (não ouças)que se prepara para carpir tua vigília, e os [ cantos que esqueceram teus braços e tantos movimentos que perdem teus silêncios, o os ventos altos
que não dormem, que te olham da janela e em tua porta penetram como loucos
pois nada te abandona nem tu ao sono.

Ana Cristina Cesar

Saudade sentirá porque a presença é marcante e a ausência só reforça tal carinho saudade não mata faz pensar em alguém e este alguém se torna tão presente que escapa de meus pensamentos.
Poty – 15/12/2011

domingo, 8 de abril de 2012


A idade é a presença de nossa vivência e faz a gente se sentir bem com a vida.

Portanto não existe ser velho, ser novo, mas a relação com o planeta, com os astros, o espaço sideral e ainda mais com nossa energia e com a relação cósmica.

Poty – 24/12/2010

Humanizar


O nosso instinto de propriedade
Que permeia na mais louca
E insana relação da expropriação
Na usura do espolio
Que segrega
Os que são considerados
Não humanos.
Se somos humanos
E porque humanizar?
Esta relação independe
De cor, sexo, raça, gênero
E seja onde for.
Em qual país esteja.
Derrubemos os muros
Da insatisfação para ter uma ligação
Entre povos com credos ou não.
Poty – 08/04/2012

A razão da guerra


A razão que pressupõe guerra
Todos têm razão
E porque guerrear?
Uma razão sem razão
Racionais
Irracionais
O que dito
Sem ser dito
A procriação
Pervertida
Perversa
De uma razão sem noção
E porque não
Sentai-vos
E abram mãos de suas razões
Poty – 08/04/2012

Sobre olhares
Vigiados
Crianças e mulheres
Engalfinhados
Sobre a soberba
Da arma em punho
Do soldado
Fitados entre a fresta da barreira de concreto que os separam.
Poty – 08/04/2012

AQUILO QUE TEM QUE SER DITO


Por que tenho me calado, me calado por tempo demais
sobre o que é patente e já vem sendo ensaiado
em simulações ao fim das quais nós, como sobreviventes,
somos no máximo umas notas de rodapé?

É o alegado direito de ataque preventivo
que poderia extinguir aquele povo
subjugado por um fanfarrão
e empurrado ao júbilo organizado (o iraniano),
porque se suspeita da construção
de uma bomba atômica em seus domínios.

Por que, no entanto, eu me proíbo
de chamar pelo nome aquele outro país
no qual se dispõe há anos - ainda que em segredo -
de um potencial nuclear crescente
e sem controle, pois não se dá acesso
a nenhuma inspeção?

A generalizada omissão desse fato,
à qual se subordina o meu calar,
eu a sinto como incriminadora mentira
e coerção com promessa de punição:
assim que desobedecida,
o veredito “antissemitismo” está em toda parte.

Agora, porém, porque o meu país,
- que por seus crimes próprios,
que estão além de comparação,
é volta e meia chamando às falas -
deve entregar a Israel
(por razões puramente comerciais,
embora declarado com lábios ligeiros
que se trata de reparação)
mais um submarino, cuja especialidade
é ser capaz de direcionar ogivas
de destruição total a um lugar
onde não foi comprovada a existência
de uma bomba atômica sequer, e no entanto
com o fim de atemorizar se pretende
que existam provas conclusivas -
por isso agora eu vou dizer
o que precisa ser dito.

Por que, no entanto, até agora eu me calei?
Porque eu pensava que a minha origem,
marcada com mácula nunca extinguível,
proibia declarar tais fatos como verdadeiros
em relação ao país Israel, com o qual tenho laços
e quero continuar a ter.

Por que é que eu digo somente agora,
envelhecido e com o fim da minha tinta,
que o poder atômico de Israel põe em risco
a paz mundial, já frágil sem isso?
Porque precisa ser dito
o que amanhã pode ser muito tarde;
e também porque nós
- como alemães já o suficiente incriminados -
podemos vir a ser fornecedores para um crime previsível,
com o que nenhuma das usuais desculpas
teria o poder de redimir
nossa participação na culpa.

E admito: não mais me calo
porque estou farto da hipocrisia do Ocidente,
e tenho esperança que com isso
possam se libertar muitos desse calar-se
e conclamar o causador do reconhecível perigo
a abrir mão de violência, e igualmente
a que seja permitido pelos governos dos dois países
um controle permanente e desimpedido
do potencial atômico israelense
e das instalações atômicas iranianas
por uma instância internacional.

Somente assim será possível ajudar
a todos, israelenses e palestinos,
e mais: a todos os seres humanos
que nessa região ocupada pelo delírio
vivem apertados em inimizade, e, afinal,
a nós mesmos também.

Günter Grass, 84 anos, Prêmio Nobel de Literatura, em 04/04/2012.

Tudo novo
Mudou-se as partículas
A densidade
Há formas que se mantiveram, mas não há olhar igual pra vê-las
Tudo novo, e o sabor é gostoso como primeiro pedaço do bolo

ME PROVOCA


Me provoca, não me conhece acende os meus desejos, desperta minha paixão, brinca com fogo. Tem esse poder todo? Irá me conhecer, aplacar minha vontade, meu fogo. Provocou, venha, faça. Agora sou que desafio. Quero sentir seu fogo, seu medo, quero todas as promessas, todas as falas. Quero sentir tudo que prometeu, quero ser aquela mulher, aquela que você disse saber amar, que irá fazer amor, que deixará marcas ardentes em mim... Quero todas as marcas desse amor, dessa luxuria que vejo em seus olhos e sinto em suas palavras...
Silvana Sousa